Papa João Paulo II
Nesta seção você terá contato com alguns escritos deste nobre homem.



A seguir :

• Homilia do Santo Padre na Quarta-feira de Cinzas (2002)
• Homilia do Santo Padre na Solenidade do Batismo do Senhor (2001)
• Homilia do Santo Padre na Vigília Pascal (2002)
• Homilia do Santo Padre na Basílica de São Pedro (2002)
• Homilia do Santo Padre na Santa Missa Crismal (2002)
• Homilia do Santo Padre na Missa do Galo - Natal do Senhor (2002)

ESPECIAL : Cartas sobre Nossa Senhora


HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
DURANTE A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA
NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS

13 de Fevereiro de 2002


1. "Rasgai o coração, e não as vestes! Voltai para Javé, vosso Deus, pois Ele é piedade e compaixão!" (Jl 2, 13).

É com estas palavras do profeta Joel, que a liturgia de hoje nos introduz na Quaresma, indicando-nos na conversão do  coração  a  dimensão  fundamental do singular tempo de graça, que nos preparamos  para  viver.  Além  disso, ela sugere-nos a motivação profunda que nos torna capazes de voltar a percorrer o caminho rumo a Deus:  trata-se da reencontrada consciência de que o Senhor é misericordioso e que cada homem é seu filho muito amado, chamado à conversão.

Com uma grande riqueza de símbolos, o texto profético agora proclamado recorda que o compromisso espiritual deve ser traduzido em opções e em gestos concretos; que a conversão autêntica não deve reduzir-se a formas exteriores ou a propósitos indefinidos, mas exige o empenhamento e a transformação de toda a existência.

A exortação "Voltai para Javé, vosso Deus" implica o desapego daquilo que nos mantém distantes dele. Este desapego constitui o ponto de partida necessário para restabelecer com Deus a aliança que foi interrompida por causa do pecado.

2. "Em nome de Cristo, suplicamo-vos:  reconciliai-vos com Deus" (2 Cor 5, 20). O premente convite à reconciliação com Deus está presente também no trecho da segunda Carta aos Coríntios, que acabámos de ouvir.

A referência a Cristo, colocada no centro de toda a argumentação, sugere que nele é oferecida ao pecador a possibilidade de uma reconciliação autêntica. Com efeito, "Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus fê-lo pecado por causa de nós, a fim de que por meio dele fôssemos reabilitados por Deus" (2 Cor 5, 21). Somente Cristo pode transformar a situação de pecado em situação de graça. Só Ele pode transformar em "momento favorável" os tempos de uma humanidade mergulhada e arrebatada pelo pecado, angustiada pelas divisões e pelo ódio. "Cristo é a nossa paz. De dois povos, Ele fez um só. na sua carne derrubou o muro da separação:  o ódio... Quis reconciliá-los com Deus num só corpo, por meio da cruz" (Ef 2, 14.16 a).
Este é o momento favorável! Um momento oferecido também a nós, que hoje empreendemos com espírito penitente o austero caminho quaresmal.

3. "Voltai para mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e lamentações" (Jl 2, 12).
Através dos lábios do profeta Joel, a Liturgia da Quarta-Feira de Cinzas exorta à conversão os idosos, as mulheres e os homens adultos, os jovens e as crianças. Todos nós devemos pedir perdão ao Senhor, por nós mesmos e pelos outros (cf. ibid., 2, 16-17).

Caríssimos Irmãos e Irmãs, seguindo a tradição das estações quaresmais, hoje estamos reunidos aqui na antiga Basílica de Santa Sabina, para responder a este premente apelo. Também nós, assim como os contemporâneos do profeta, temos diante dos nossos olhos, e trazemos impressos na nossa alma, imagens de grandes sofrimentos e tragédias, não raro fruto do egoísmo irresponsável. Também nós sentimos o peso da confusão de muitos homens e mulheres, diante da dor dos inocentes e das contradições da humanidade hodierna. Temos necessidade da ajuda do Senhor, para recuperarmos a confiança e a alegria da vida. Devemos voltar para Aquele que hoje nos abre a porta do seu coração, rico de bondade e de misericórdia.

4. No centro da atenção desta celebração litúrgica há um gesto simbólico, oportunamente explicado pelas palavras que o acompanham. É a imposição das cinzas, cujo significado, fortemente evocativo da condição humana, é salientado pela primeira fórmula contemplada pelo rito:  "Recorda-te que tu és pó, e ao pó voltarás" (cf. Gn 3, 19). Estas palavras, tiradas do Livro do Génesis, lembram a caducidade da existência e convidam a considerar a vaidade de cada projecto terrestre, quando o homem não fundamenta a sua esperança no Senhor. A segunda fórmula, prevista pelo rito:  "Convertei-vos e acreditai no Evangelho" (Mc 1, 15), sublinha qual é a condição indispensável para percorrer o caminho da vida cristã:  ou seja, são necessárias uma concreta transformação interior e adesão à palavra de Cristo.

Portanto, a liturgia de hoje pode considerar-se, de certa forma, como uma "liturgia de morte", que remete para a Sexta-Feira Santa, onde o rito deste dia encontra o seu pleno cumprimento. Com efeito, é naquele que "se humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz!" (Fl 2, 8), que também nós devemos morrer para nós mesmos, a fim de renascermos para a vida eterna.

5. Escutemos o convite que o Senhor nos dirige através dos gestos e das palavras, intensas e austeras, da liturgia desta Quarta-Feira de Cinzas! Aceitemo-lo com a atitude humilde e confiante, que nos propõe o Salmista:  "Pequei contra ti, somente contra ti, praticando o que é mau aos teus olhos". E depois:  "Ó Deus, cria em mim um coração puro e renova no meu peito um espírito firme... " (Sl 51 [50], 6.12).

O tempo quaremal constitua para todos uma renovada experiência de conversão e de profunda reconciliação com Deus, connosco mesmos e com os irmãos. Oxalá a possamos obter através da Virgem das Dores que, ao longo do caminho quaresmal, contemplamos associada ao sofrimento e à paixão redentora do Filho.

 

FONTE : www.vatican.va

 

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
NA SOLENIDADE DO BAPTISMO DO SENHOR 

Domingo, 13 de Janeiro de 2001 


1. "Este é o meu Filho amado, que muito me agrada"
(Mt 3, 17).

Há pouco voltámos a ouvir na leitura do Evangelho as palavras que ressoaram do céu, logo que Jesus foi baptizado por João no rio Jordão. Foi uma voz do alto que as pronunciou:  a voz de Deus Pai. Elas revelam o mistério que hoje celebramos, o Baptismo de Cristo. Aquele Homem sobre o qual desce, como uma pomba, o Espírito Santo, é o Filho de Deus que assumiu da Virgem Maria a nossa carne para a redimir do pecado e da morte.

Como é grandioso este mistério de salvação!  Um  mistério  em  que  hoje são inseridas as crianças que viestes apresentar, queridos pais, padrinhos e madrinhas. Recebendo na Igreja o sacramento do Baptismo, elas hão-de tornar-se  filhos  de  Deus,  "filhos  no  Filho". Trata-se do mistério do "segundo nascimento".

2. Estimados pais, dirijo-me com especial afecto especialmente a vós, que destes a vida a estas criaturas, colaborando com a obra de Deus, autor da Vida e, de maneira singular, de cada vida humana. Fostes vós que as gerastes e que hoje as apresentais à pia baptismal, para que sejam regeneradas pela água e pelo Espírito Santo. A graça de Cristo transformará a sua existência de mortal para imortal, libertando-a do pecado original. Dai graças ao Senhor pelo dom do seu nascimento e deste seu renascimento espiritual.

Mas que força permite a estas crianças inocentes e inconscientes realizar uma "passagem" espiritual tão profunda? É a , a fé da Igreja, professada de modo particular por vós, dilectos pais, padrinhos e madrinhas. É precisamente nesta fé que os vossos filhos são baptizados. Cristo não realiza o milagre de regeneração do homem sem a colaboração do próprio homem, e a primeira cooperação da criatura humana é a fé com que, intrinsecamente atraída por Deus, se confia com liberdade nas suas mãos.

Hoje, estas crianças recebem o Baptismo com base na vossa fé, que daqui a pouco vos pedirei que professeis. Caríssimos, quanto amor e quanta responsabilidade há no gesto que haveis de fazer em nome dos vossos filhos!

3. No futuro, quando forem capazes de compreender, elas mesmos deverão percorrer pessoal e livremente um caminho  espiritual  que  os  levará,  com  a graça de Deus, a confirmar no sacramento do Crisma, a dádiva que neste dia recebem.

Mas poderão elas abrir-se à fé, se não receberem um bom testemunho da mesma por parte dos adultos que as rodeiam? Estas crianças têm necessidade sobretudo de vós, caros pais; além disso, precisam também de vós, prezados padrinhos e madrinhas, para aprender a conhecer o Deus verdadeiro, que é amor misericordioso. Compete a vós introduzi-los neste conhecimento, em primeiro lugar através do testemunho do vosso comportamento nos seus relacionamentos com elas e com os outros, relações estas caracterizadas pela atenção, o acolhimento e o perdão. Compreenderão que Deus é fidelidade, se puderem reconhecer o seu reflexo, mesmo limitado e falível, sobretudo nesta vossa presença amorosa.

Como é grande a responsabilidade da cooperação dos pais no crescimento espiritual dos seus filhos! Estavam muito conscientes disto os Beatos cônjuges Luigi e Maria Quattrocchi, que recentemente tive a alegria de elevar às honras dos altares e que vos exorto a conhecer e imitar melhor. Se já é excelsa para vós a missão de ser pais "segundo a carne", tanto mais o é a de colaborar na paternidade divina, oferecendo a vossa contribuição para formar nestas criaturas a própria imagem de Jesus, Homem perfeito.

4. Neste missão comprometedora, não vos deveis jamais sentir sozinhos! Conforte-vos, em primeiro lugar, a confiança no Anjo da guarda, a quem Deus confiou a sua singular mensagem de amor para cada um dos vossos filhos. De resto toda a Igreja, a que tendes a graça de pertencer, está comprometida em assistir-vos:  no Céu velam os Santos, de modo particular aqueles dos quais estas crianças têm o nome e que serão os seus "padroeiros". Na terra vive a Comunidade eclesial, em que é possível confirmar a sua fé e a sua vida cristã, alimentando-a com a oração e os Sacramentos. Não podereis dar aos vossos filhos aquilo que vós antes não recebestes e assimilastes!

Todos têm uma Mãe segundo o Espírito:  é Maria Santíssima. É a Ela que confio os vossos filhos, para que se tornem cristãos autênticos; a Maria confio-vos também a vós, queridos padrinhos e madrinhas, a fim de que saibais transmitir a estas crianças o amor de que têm necessidade para crescer e para acreditar. Com efeito, a vida e a fé caminham juntas! Que assim seja na existência de cada baptizado, com a ajuda de Deus!

 

FONTE : www.vatican.va



VIGÍLIA PASCAL

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Sábado Santo, 30 de Março de 2002

 

1. "Disse Deus: «Haja Luz». E houve luz" (Gn 1,3)

Uma explosão de luz, que a palavra de Deus fez surgir do nada, rasgou a primeira noite, a noite da criação.

O apóstolo João escreverá: "Deus é luz e n’Ele não há trevas" (1Jo 1,5). Deus não criou as trevas, mas a luz! E o Livro da Sabedoria, revelando claramente que a obra de Deus obedece desde sempre a uma finalidade positiva, assim se exprime: "Ele criou tudo para a existência; / e todas as criaturas têm em si a salvação. / Não há nelas nenhum princípio de morte, / nem o domínio da morte impera sobre a terra" (Sab 1,14).

Naquela primeira noite, a noite da criação, tem as suas raízes o mistério pascal que, após o drama do pecado, constitui a restauração e a coroação daquele instante inicial. A Palavra divina trouxe à existência todas as coisas e, em Jesus, fez-se carne para nos salvar. E, se o destino do primeiro Adão foi retornar à terra donde viera (cf. Gn 3,19), o último Adão desceu do céu para lá subir de novo vencedor, primícia da nova humanidade (cf. Jo 3,23; 1 Cor 15,47).

2. Uma outra noite constitui o evento fundamental da história de Israel: é o êxodo prodigioso do Egipto, cuja narração se lê em cada ano na solene Vigília pascal.

"O Senhor fustigou o mar com um impetuoso vento do oriente, que soprou durante toda a noite. Secou o mar, e as águas dividiram-se. Os filhos de Israel desceram a pé enxuto para o meio do mar, e as águas formavam como que uma muralha à direita e à esquerda deles" (Ex 14,21-22). O povo de Deus nasceu deste "baptismo" no Mar Vermelho, quando experimentou a mão forte do Senhor que o arrancava da escravidão, para conduzi-lo à suspirada terra da liberdade, da justiça e da paz.

Esta é a segunda noite, a noite do êxodo.

A profecia do Livro do Êxodo cumpre-se hoje também para nós, que somos israelitas segundo o Espírito, descendência de Abraão graças à fé (cf. Rom 4,16). Na sua Páscoa, como novo Moisés, Cristo faz-nos passar da escravidão do pecado à liberdade dos filhos de Deus. Mortos com Jesus, com Ele ressuscitamos para a vida nova, pelo poder do seu Espírito. O seu Baptismo veio a ser o nosso.

3. Recebereis este Baptismo, que gera o homem para a vida nova, também vós, caríssimos Irmãos e Irmãs catecúmenos, provindos de diversos Países: da Albânia, da China, do Japão, da Itália, da Polónia, da República Democrática do Congo. Dois dentre vós, uma mãe japonesa e uma chinesa, trazem consigo também o filho, de modo que, na mesma celebração, serão baptizadas as mães junto com as suas crianças.

"Nesta santíssima noite" em que Cristo ressuscitou dos mortos, cumpre-se para vós um "êxodo" espiritual: deixais para trás a velha existência e entrais na "terra dos vivos". Esta é a terceira noite, a noite da ressurreição.

4. "Oh noite ditosa, única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro". Assim cantámos no Precónio Pascal, no início desta solene Vigília, mãe de todas as Vigílias.

Após a trágica noite de Sexta-feira Santa, quando «o domínio das trevas» (Lc 22,53) parecia levar a melhor sobre Aquele que é «a luz do mundo» (Jo 8,12), após o grande silêncio de Sábado Santo, em que Cristo, cumprida a sua obra na terra, encontrou descanso no mistério do Pai e levou a sua mensagem de vida aos abismos da morte, eis finalmente a noite que precede "o terceiro dia", no qual, segundo as Sagradas Escrituras, o Messias havia de ressuscitar, como Ele mesmo tinha repetidamente preanunciado aos seus discípulos.

"Oh noite ditosa, em que o Céu se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!" (Precónio Pascal).

5. Esta é a noite por excelência da fé e da esperança. Enquanto tudo está mergulhado na escuridão, Deus - a Luz - vigia. Com Ele, vigiam todos que confiam e esperam n’Ele.

Ó Maria, esta é por vossa excelência a vossa noite! Enquanto se apagam as últimas luzes do sábado, e o fruto do vosso ventre descansa na terra, vosso coração também vigia! A vossa fé e a vossa esperança projectam-se para diante. Para além da pesada lápide, vislumbram já o túmulo vazio; para além do espesso véu das trevas, entrevêem a aurora da ressurreição.

Fazei, ó Mãe, que também nós vigiemos no silêncio da noite, crendo e esperando na palavra do Senhor. Encontraremos assim, na plenitude da luz e da vida, Cristo, primícia dos ressuscitados, que reina com o Pai e o Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Aleluia!

         

FONTE : www.vatican.va

 

SANTA MISSA "IN COENA DOMINI" NA BASÍLICA DE SÃO PEDRO

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Quinta-feira Santa, 28 de Março de 2002

   

1. "Ele que amava os Seus que estavam no mundo, levou até ao extremo o Seu amor por eles" (Jo 13, 1).

Estas palavras, narradas no trecho evangélico que acabamos de proclamar, realçam bem o clima da Quinta-Feira Santa. Elas fazem-nos intuir os sentimentos vividos por Cristo "na noite em que foi entregue" (1 Cor 11, 23) e estimulam-nos a participar com profunda e íntima gratidão no solene rito que estamos a realizar.

Entramos esta tarde na Páscoa de Cristo, que constitui o momento dramático e conclusivo, longamente preparado e esperado, da existência terrena do Verbo de Deus. Jesus veio para o meio de nós não para ser servido, mas para servir, e assumiu sobre si os dramas e as esperanças dos homens de todos os tempos. Antecipando misticamente o sacrifício da Cruz, no Cenáculo, quis permanecer connosco sob as espécies do pão e do vinho e confiou aos Apóstolos e aos seus sucessores a missão e o poder de perpetuar a sua memória viva e eficaz no rito eucarístico.

Por conseguinte, esta celebração envolve-nos misticamente a todos e insere-nos no Tríduo Sagrado, durante o qual também nós aprenderemos do único "Mestre e Senhor" a "estender as mãos" a fim de nos dirigirmos para onde nos chama o cumprimento da vontade do Pai celeste.

2.  "Fazei  isto  em  Minha  memória" (1 Cor 11, 24). Com este mandamento, que nos empenha a respeitar o seu gesto, Jesus conclui a instituição do Sacramento do Altar. Também no final do lava-pés Ele convida a imitá-lo:  "Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais também vós" (Jo 13, 15). Desta forma  estabelece  uma  relação  íntima  entre a Eucaristia, sacramento do seu dom sacrifical, e o mandamento do amor, que nos compromete a receber e a servir os irmãos.

Não podemos separar a participação na mesa do Senhor do dever de amar o próximo. Todas as vezes que participamos na Eucaristia, pronunciamos nós também o nosso "Amen" diante do Corpo e do Sangue do Senhor. Desta forma comprometemo-nos a fazer o que Cristo fez, "a lavar os pés" dos irmãos, transformando-nos em imagem concreta e transparente d'Aquele que se despojou "a Si mesmo tomando a condição de servo" (Fl 2, 7).

O amor é a herança mais preciosa que Ele deixou a todos os que chama para O seguir. É o seu amor, partilhado pelos seus discípulos, que é oferecido esta tarde a toda a humanidade.

3. "Quem come e bebe, sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação" (1 Cor 11, 29). A  Eucaristia  é  um  dom  grandioso, mas  é  também  uma  grande  responsabilidade para quem a recebe. Jesus, diante de Pedro que inicialmente se opõe a que Ele lhe lave os pés, insiste sobre a necessidade de sermos puros a fim de participar no banquete sacrifical da Eucaristia.

A tradição da Igreja evidenciou sempre o vínculo que existe entre a Eucaristia e o sacramento da Reconciliação. Também eu o quis recordar na Carta aos Sacerdotes para a Quinta-Feira Santa deste ano, convidando em primeiro lugar os presbíteros a considerar com renovada admiração a beleza do Sacramento do perdão. Só desta forma poderão depois fazê-lo descobrir aos fiéis confiados aos seus cuidados pastorais.

O sacramento da Penitência restitui aos baptizados a graça divina perdida com o pecado mortal, e dispõe-nos para receber dignamente a Eucaristia. Além disso, no diálogo directo que a sua celebração ordinária requer, o Sacramento pode ir ao encontro da exigência de comunicação pessoal, que hoje se tornou cada vez mais difícil devido aos ritmos frenéticos da sociedade tecnológica. Com a sua obra iluminada e paciente o confessor pode introduzir o penitente naquela comunhão profunda com Cristo que o Sacramento dá novamente e a Eucaristia leva a pleno cumprimento.

Oxalá a redescoberta do sacramento da  Reconciliação  ajude  todos  os  crentes a aproximar-se com respeito e devoção da Mesa do Corpo e do Sangue do Senhor.

4. "Ele que amara os Seus que estavam no mundo, levou até ao extremo o Seu amor por eles" (Jo 13, 1).

Voltamos espiritualmente ao Cenáculo! Reunimo-nos com fé à volta do Altar do Senhor, fazendo o memorial da Última Ceia. Repetindo os gestos de Cristo, proclamamos que a sua morte redimiu a humanidade do pecado, e continua a dar esperança de um futuro de salvação para os homens de todas as épocas.

Compete aos sacerdotes perpetuar o rito que, sob as espécies do pão e do vinho, torna presente o sacrifício de Cristo de modo verdadeiro, real e substancial, até ao fim dos tempos. Compete a todos os cristãos tornar-se servos humildes e atentos dos irmãos para colaborarem para a sua salvação. É tarefa de cada crente proclamar com a vida que o Filho de Deus amou os seus ""até ao extremo". Esta tarde, num silêncio cheio e mistério, alimenta-se a nossa fé.

Unidos a toda a Igreja, anunciamos a tua morte, ó Senhor. Cheios de gratidão, já vivemos a alegria da tua ressurreição. Repletos de confiança, comprometemo-nos a viver na expectativa da tua vinda gloriosa. Hoje e sempre, ó Cristo, nosso Redentor. Amen!

 

FONTE : www.vatican.va

 

SANTA MISSA CRISMAL NA BASÍLICA DE SÃO PEDRO

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

 Quinta-feira Santa, 28 de Março de 2002


1. "O Espírito do Senhor Javé está sobre mim, porque foi Javé que me ungiu"
(Is 61, 1).

As palavras do profeta Isaías representam o motivo dominante da Missa Chrismatis, que nesta manhã de Quinta-Feira Santa vê reunidos, em cada Diocese, todo o presbitério à volta do seu próprio Pastor. Durante este rito solene, que se realiza antes do início do Tríduo pascal, são benzidos os Óleos, que conterão o bálsamo da graça divina ao povo cristão.

"Foi Javé que me ungiu". Estas palavras evocam, em primeiro lugar, a missão messiânica de Jesus, consagrado pela virtude do Espírito Santo, tornando-se o sumo e eterno Sacerdote da Nova Aliança, estabelecida no seu sangue. Todas as prefigurações do sacerdócio do Antigo Testamento encontram a realização nele, único e definitivo mediador entre Deus e os homens.

2. "Hoje cumpriu-se esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir" (Lc 4, 21). Jesus comenta deste modo, na sinagoga de Nazaré, o anúncio profético de Isaías. Afirma que Ele é o Ungido do Senhor, Aquele que o Pai mandou para dar aos homens a libertação dos pecados e trazer o alegre anúncio aos pobres e aos aflitos. É Ele que veio para proclamar o tempo da graça e da misericórdia. Na Carta aos Colossenses o Apóstolo observa que Cristo, "anterior a qualquer criatura", é "o Primeiro daqueles que ressuscitam dos mortos" (1, 15.18). Aceitando a chamada do Pai, a assumir a condição humana, traz consigo o sopro da vida nova e dá a salvação a todos aqueles que nele acreditam.

3. "Todos... tinham os olhos fixos nele" (Lc 4, 20).

Também nós, como os presentes na sinagoga de Nazaré, conservemos o nosso olhar fixo no Redentor, que "nos fez reis e sacerdotes para Deus, seu Pai" (Ap 1, 6). Se cada baptizado participa do seu sacerdócio real e profético, para "oferecer sacrifícios espirituais que Deus aceita" (1 Pd 2, 5), os presbíteros são chamados a compartilhar a sua oblação de modo especial.

São chamados a vivê-la no serviço ao sacerdócio comum dos fiéis. Por conseguinte, a Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada pelo Mestre aos seus apóstolos continua a ser exercida na Igreja até ao fim dos tempos:  portanto, é o sacramento do ministério apostólico, que comporta os graus do episcopado, do presbiterado e do diaconado.

Caríssimos Irmãos, hoje tomamos particular consciência deste ministério peculiar que nos foi conferido. Na Eucaristia, o Mestre divino confiou-nos a celebração do seu próprio Sacrifício, chamando-nos assim ao seu especial seguimento. Por este motivo, durante a celebração de hoje, confirmemos-lhe em conjunto a nossa fidelidade e o nosso amor e, confiando no poder da sua graça, renovemos as promessas feitas no dia da nossa Ordenação.

4. Como é grande para nós este dia! Na Quinta-Feira Santa Jesus fez de nós os ministros da sua presença sacramental no meio dos homens. Colocou nas nossas mãos o seu perdão e a sua misericórdia, dando-nos o seu Sacerdócio para sempre.

Tu es sacerdos in aeternum! Na nossa alma ressoa esta chamada, que nos faz sentir como a nossa vida está vinculada de maneira indissolúvel à sua. E para sempre!

Enquanto damos graças por este dom misterioso, não podemos deixar de confessar as nossas infidelidades. Na Carta que, como em todos os anos, desejei enviar aos sacerdotes nesta ocasião especial, recordei que "todos nós cientes da fraqueza humana, mas confiando na força purificadora da graça divina somos chamados a abraçar o "Mysterium Crucis" e a empenhar-nos ainda mais na busca da santidade" (n. 11). Caríssimos Irmãos, não esqueçamos o valor e a importância do sacramento da Penitência na nossa existênca. Ele está intimamente unido à Eucaristia e faz de nós os dispensadores da misericórdia divina. Se recorrermos a esta fonte de perdão e de reconciliação, poderemos ser autênticos ministros de Cristo e irradiar à nossa volta a sua paz e o seu amor.

5. "Cantarei para sempre o amor do Senhor!" (Liturgia da Missa crismal).

Congregados ao redor do altar, junto do túmulo do Apóstolo Pedro, enquanto damos graças pelo dom do nosso sacerdócio ministerial, rezemos por todos aqueles que foram instrumentos preciosos da nossa divina vocação.

Penso em primeiro lugar nos nossos pais que, dando-nos a vida e pedindo para nós a graça do Baptismo, nos inseriram no Povo da salvação e, através da sua fé, nos ensinaram a estar atentos e disponíveis à voz do Senhor. Juntamente com eles recordemos quantos, com o testemunho e o conselho sapiente, nos orientaram no discernimento da nossa vocação. Além disso, o que dizer dos inúmeros fiéis leigos que nos acompanharam rumo ao Sacerdócio e que continuam a estar ao nosso lado no ministério pastoral? O Senhor dê a devida recompensa a cada um!

Oremos por todos os presbíteros e, de modo particular, por aqueles que vivem no meio de muitas dificuldades ou padecem perseguições, com um pensamento especial para quantos pagaram com o seu próprio sangue a sua fidelidade a Cristo.

Rezemos por estes nossos coirmãos que não cumpriram os compromissos assumidos com a ordenação sacerdotal ou que atravessam um período de dificuldade e de crise. Escolhendo-nos para uma missão tão sublime, Cristo nunca nos deixa faltar a graça e a alegria de O seguir, tanto no Tabor como no caminho da Cruz.

Acompanhe-nos e sustente-nos Maria, a Mãe do Sumo e Eterno Sacerdote, que não chamou aos seus Apóstolos "servos", mas "amigos". A Jesus, nosso Mestre e Irmão, glória e poder nos séculos dos séculos (cf. Ap 1, 6). Amen!

 

FONTE : www.vatican.va

 

MISSA DA MEIA NOITE

HOMILIA DO SANTO PADRE

Natal, 24 de Dezembro de 2002

 

1. «Dum medium silentium omnia... - Quando um profundo silêncio envolvia todas as coisas e a noite estava no meio do seu curso, a vossa Palavra omnipotente, Senhor, desceu do seu trono real» (Ant. ao Magn. 26 de Dezembro).

Nesta Santa Noite cumpre-se a antiga promessa: o tempo de espera terminou, e a Virgem dá à luz o Messias.

Jesus nasce para a humanidade que vai em busca de liberdade e de paz; nasce para cada homem oprimido pelo pecado, necessitado de salvação e sedento de esperança.

Ao clamor incessante dos povos: Vem, Senhor, salvai-nos!, Deus responde nesta noite: a sua eterna Palavra de amor assumiu a nossa carne mortal. «Sermo tuus, Domine, a regalibus sedibus venit». O Verbo entrou no tempo: nasceu o Emanuel, o Deus connosco.

Nas catedrais e nas basílicas, como nas mais pequenas e longínquas igrejas de todos os recantos do mundo, eleva-se comovido o cântico dos cristãos: «Hoje nasceu para nós o Salvador» (Sal. resp.).

2. Maria «deu à luz o seu filho primogénito; envolveu-O em panos e recostou-O numa manjedoira» (Lc 2,7)

Eis o ícone do Natal: um frágil recém-nascido, que as mãos de uma mulher protegem com pobres panos e depõe na manjedoira.

Quem pode pensar que aquele pequeno ser humano é o «Filho do Altíssimo» (Lc 1,32)? Somente Ela, a Mãe, conhece a verdade e conserva o seu mistério.

Nesta noite, nós também podemos ‘passar' através do seu olhar, para reconhecer neste Menino o rosto humano de Deus. Para nós também, homens do terceiro milénio, é possível encontrar Cristo e contemplá-Lo com os olhos de Maria.

A noite de Natal torna-se então escola de fé e de vida.

3. Na segunda Leitura, há pouco proclamada, o apóstolo Paulo nos ajuda a compreender o evento-Cristo, que celebramos nesta noite de luz. Ele escreve: «Manifestou-se a graça de Deus, que nos traz a salvação para todos os homens» (Tit 2,11).

A «graça de Deus que manifestou-se» em Jesus é o seu amor misericordioso, que preside a inteira história da salvação e a guia em direcção à sua definitiva realização. A revelação de Deus «na humildade da natureza humana» (Prefácio do Advento I) constitui a antecipação, na terra, da sua «manifestação» gloriosa no fim dos tempos (cf Tit 2,13).

Mais: o acontecimento histórico que estamos vivendo no mistério é o "caminho" que nos é oferecido para poder encontrar a Cristo glorioso. De facto, com a sua Encarnação, Jesus «nos ensina - como observa o Apóstolo - a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver com ponderação, justiça e piedade, no mundo presente, enquanto aguardamos a ditosa esperança» (Tit 2,12-13).

Ó Natal do Senhor, que inspirastes Santos de todos os tempos!

Penso, entre outros, em São Bernardo e nas suas elevações espirituais diante das cenas comovedoras do presépio; penso em São Francisco de Assis, idealizador da primeira animação "ao vivo" do mistério da Noite Santa; penso em Santa Teresa do Menino Jesus, que diante da orgulhosa consciência moderna voltou a propor, com o seu "pequeno caminho", o autêntico espírito do Natal.

4. «Achareis um Menino envolto em panos e deitado numa manjedoira» (Lc 2,12).
O Menino jaz na pobreza duma manjedoira: este é o sinal de Deus. Passam os séculos e os milénios, mas o sinal permanece, e vale também para nós, homens e mulheres do terceiro milénio. É sinal de esperança para a inteira família humana; sinal de paz para os que sofrem por causa de todo género de conflito; sinal de libertação para os pobres e oprimidos; sinal de misericórdia para quem se encerra no círculo vicioso do pecado; sinal de amor e de consolação para quem se sente só e abandonado.

Sinal pequeno e frágil, humilde e silencioso, mas rico do poder de Deus, que por amor fez-se homem.

5. Senhor Jesus, nós nos aproximamos,
com os pastores, do vosso presépio
para Vos contemplar envolto em panos
e reclinado na manjedoira.
Ó Menino de Belém,
Vos adoramos em silêncio com Maria,
vossa Mãe sempre Virgem.
A Vós glória e louvor nos séculos,
divino Salvador do mundo! Amen.



FONTE : www.vatican.va




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"Ser catequista é experimentar o humano e almejar  o divino"  -  Catequista Bruno Velasco, MEJ.
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